segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Trilha sonora da minha vida.
Its my life, dont you forget.
domingo, 3 de janeiro de 2010
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Apostando as fichas. E um óculos novo.

Daí que eu sonhei, de ontem pra hoje, no meu primeiro sonho do ano, com uma imagem super forte e simbólica: sonhei que meu óculos de grau, esse que eu uso todos os dias e que é verdinho, verdinho, de aros grossos e plástico estava ENFERRUJANDO. Enferrujando bem na frente, bem em cima da lente, fazendo crostas visiveis e horrorosas de ferrugem. De dentro do verde, saía a ferrugem. Uma imagem bem simbólica sobre o envelhecimento do olhar, sobre o desgaste do jeito de ver as coisas, sobre o cansaço da vista.
Ouvi hoje muitas histórias do tempo da juventude de muita farra ("daí a gente bebeu demais, fez as malas e disse que ia pra casa, resultado, dormimos na beira da estrada, no mato do acostamento, com a cabeça na mala") de meu pai e de meus tios. Ok, era um tempo com menos violência e com outro ritmo, mas percebi que definitivamente eu preciso me divertir mais. Emocionalmente falando, parece que eu envelheci uns dez anos no tempo de dois. Nunca fui tão a minha mãe. Preocupada com horários, com pessoas, com agradar todo mundo, com tomar conta de todos, com ser compreensiva com todas as porradas, com não fazer coisas fora da ordem mundial, com não perder prazos, com as consequências físicas para mim e as consequências emocionais para os outros, em não aborrecer pessoas, em não iniciar brigas... De certa forma, entre a paz de todos e o meu desejo, eu sempre escolhi a paz de todos. Não sei se eu quero continuar nessa escolha.
Só sei que, eu acho que preciso pensar menos nessas coisas tipo horários, prazos, responsabilidades, consequências, emocional dos outros, porque assim, em uns quatro anos, eu não vou mais poder abstrai-las, então, acho que hoje em dia eu mereço sair, tomar uma cerveja, conhecer pessoas novas, dar risada, aceitar convites inusitados, ter conversas despretensiosas, não ter como voltar pra casa, viajar, ser menos casquinha com o meu dinheiro, ter menos medo de arriscar e tal.
Quero, daqui a uns anos, poder sentar os meus filhos para contar histórias também. Quero, daqui a uns anos, que o meu pai também diga que eu dei (um pouquinho de) trabalho. Não quero ser só sempre a madura, a sensata, a mãe de todos, a cuidadora. Acho bala que me liguem quando precisam de conselho, colo, carinho - mas vamos começar a ligar pra enlouquecer também.
Ou seja, a vibe é a multiplicade: quero um emprego fixo e legal, estando até aberta a áreas que antes eu nunca me julgaria disposta e quero ao mesmo tempo poder aproveitar mais as coisas - não só as pequenas e fofas que eu já aproveito, mas também as que podem mover e recriar a minha moral, a minha ideologia, o meu olhar sobre o mundo.
2010, quero tudo ter: estrela, flor, estilo. Quero chorar junto com os dramas das pessoas que eu amo e quero rir muito lembrando de todos os micos que eu pagar, também. Ano de apostar fichas, se Deus quiser.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Wishlist.

Bom, meu maior problema na vida não é bem não saber o que eu quero, isso eu meio que até sempre sei; a minha grande questão é que eu não sei se o que eu quero me faz bem, eu nunca sei se eu aguento exatamente o que eu quero - então eu desejo e deixo ver se rola e se rolar eu faço o melhor que der, torcendo pra não me ferrar tanto, pra variar. Então, assim sendo, pra 2010 eu seria bem feliz com um fox (ok, não vai rolar), um estágio bem bom (para compensar o semestre que vai ser uma bosta total), muita coragem, energia (muita, muita, muita!) e ousadia. Eu queria variar o meu próprio roteiro, pra poder me reinventar sendo fiel a mim mesma. Paz, saúde pra todo mundo que eu amo, meus amigos sempre por perto (ainda mais agora que eu sinto falta dos que foram pra longe. alô alex, alô peu!) e cada vez mais amigos, mais risadas, mais momentos legais, mais amor. Quero tentar me despir dessa roupinha grossa e de lã chamada ironia, que eu uso pra me proteger.
Em 2009 eu consegui evoluir positivamente. Acho que fui o pilar emocional da minha própria familia em alguns momentos dificies e acho que fui pilastra de apoio para os amigos nas horas mais chatinhas - talvez não para todos ou não como gostaria, mas eu nunca me esforcei tanto quanto nesse ano, tinha horas que eu me sentia num ringue de boxe! (Sendo ladra do jogo e contando com o finalzinho de 2008) esse ano eu consegui passar (ok, entre idas e vindas) onze meses com uma pessoa e agora já estou em um relacionamento - este, de fato maduro, sério e tranquilo (tks God, tks 2009) - a seis meses - para uma pessoa com pavor de abandono, julgamento, decepcionar os outros, um pouco teimosa e bastante cabeça dura e desconfiada e a cada ano ficando mais antipática (sorry) até que são números bons, até que é um amadurecimento, uma evolução, um crescimento.
Em 2009 eu fiz um semestre muito bom na faculdade (um dos melhores!) e outro semestre completamente bizarro, no qual eu não quis nada, chutei o balde, caguei e andei e mesmo assim, ainda consegui ter ótimas médias e ainda consegui arranjar uma matéria que abalasse meu amor pela psicanálise. Depois passou, psicanálise still my love(r). Conheci algumas pessoas, me aproximei de outras, reecontrei outras que eu havia perdido pelo caminho, vi algumas pessoas irem embora, outras voltarem, aprendi a escrever novos começos para os fins. Em 2009 escrevi muito menos, bebi muito menos, tive cada vez menos paciência, me enganei muito menos, li muito menos e também briguei muito menos com o meu irmão.
Basicamente, a vida fluiu, seguiu, continuou, floresceu, foi boa. 2009 foi um ano bastante tranquilo. Espero que 2010 possa ser a mesma coisa: tranquilo. Eu já entendi que todos os ramos da minha vida precisam de mim para ter rumo, exceto um. Então, em 2010 vou tentar programar meus rumos e ramos e deixar esse único se resolver como for, acho que vai ser mais proveitoso.
2009, tks for coming, mas agora é com 2010.
Ótimo ano novo para todo mundo.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Hit me with your best shot, baby.
Quero ver toda mulherada de mãozinha pra cima, cantando a plenos pulmões pra todos os idiotas que acharam que iam destruir nossos corações! Parece que eles não atiraram direito, né? Quero ver a carinha de roqueira provocativa quando perguntar 'porque' ele não lançou o melhor tiro, hein!
Pat Benatar - Hit me with your best shot.
"Well you're a real tough cookie with a long history
Of breaking little hearts, like the one in me
That's okay, let's see how you do it
Put up your dukes, let's get down to it
Hit me with your best shot
Why don't you hit me with your best shot?
Hit me with your best shot
Fire away!
You come on with a come on, you don't fight fair
That's okay, see if I care
Knock me down, it's all in vain
I get right back on my feet again!
Hit me with your best shot
Why don't you hit me with your best shot?
Hit me with your best shot
Fire away
You're a real tough cookie with a long history
Of breaking little hearts, like the one in me
Before I put another notch in my lipstick case
You better make sure you put me in my place
Hit me with your best shot
Hit me with your best shot
Hit me with your best shot
Fire away
Hit me with your best shot
Why don't you hit me with your best shot?
Hit me with your best shot.
Fire away"
Pat Benatar - Hit me with your best shot.
"Well you're a real tough cookie with a long history
Of breaking little hearts, like the one in me
That's okay, let's see how you do it
Put up your dukes, let's get down to it
Hit me with your best shot
Why don't you hit me with your best shot?
Hit me with your best shot
Fire away!
You come on with a come on, you don't fight fair
That's okay, see if I care
Knock me down, it's all in vain
I get right back on my feet again!
Hit me with your best shot
Why don't you hit me with your best shot?
Hit me with your best shot
Fire away
You're a real tough cookie with a long history
Of breaking little hearts, like the one in me
Before I put another notch in my lipstick case
You better make sure you put me in my place
Hit me with your best shot
Hit me with your best shot
Hit me with your best shot
Fire away
Hit me with your best shot
Why don't you hit me with your best shot?
Hit me with your best shot.
Fire away"
Maria del bairro, eu sou.
Na primeira cena de Vicky Cristina Barcelona, vemos duas moças entrando num táxi, uma loira e uma morena. A medida que o narrador vai nos explicando quem é quem, o foco da câmera se fixa na personagem enquanto ele traça os perfis. O que Vicky, Rebeca Hall, a morena, quer da vida é definido: estabilidade, segurança e esforços para manter sua vida numa rotina cheia de projetos já traçados, ela já tem seu próprio roteiro e não pode duvidar dele (mas isso só descobrimos depois) – suas roupas são sérias, seu tom é sério e ela está viajando para estudar arte, uma coisa séria. Depois a câmera foca em Scarlett Johanson, a loira, e vai logo nos dizendo: esta é Cristina, uma atriz que basicamente se define como alguém que não sabe o que procura e nem sabe o quer, mas basicamente sabe o que não quer: ela não quer monotonia. Aventura – romântica, profissional, geográfica – transformação e descoberta são com ela, como ficará a cada cena mais evidente. Destemida, eu diria. Oposta a Vicky. Depois dessa cena, em que cada personagem fica claro, vem a música Barcelona, de Giulia y Los Tellarinis, com um refrão em espanhol, no violão que nos convida a refletir: “por que tanto perder-se, tanto buscar-se sem encontrar-se?”
Nesse filme, falou-se muito de Penelope Cruz com sua Maria Elena, mas eu não dou a mínima, atirar em namorado, gritar em espanhol e dividir marido com outra mulher não são a minha vibe. Andar com maquiagem borrada, pintar quadros e ir pro manicômio não fazem eu me identificar. Pra a minha neurose, o bingo desse filme é Vicky, engaiolada em si mesma, sem escapatória, na vida que ela escolheu pra ela – até porque, ela não tem coragem de escolher nada diferente.
Então que, eu, aos vinte e um anos, sem emprego e/ou perspectiva de um emprego, no meio da minha crise – não posso evitar de me perguntar porque tanto perder-se, tanto buscar-se, sem encontrar-se! Não posso deixar de lado essa minha vibe de eterna luta entre Vicky e Cristina. Larguei a faculdade de jornalismo, estou no sexto semestre de psicologia agora – e com uma vontade bem grande de largar de novo, para fazer jornalismo. Sou ou não sou sensacional?! O que importa, na verdade, é que eu não tenho nenhuma coragem de largar o curso e vou engoli-lo até o final, de qualquer forma. O que faz de mim Vicky. Minha Cristina vai sonhar com outros cursos, talvez letras, talvez jornalismo, não sei bem. Minha Cristina vai querer uma vida de ganhar dinheiro na internet, de ganhar dinheiro escrevendo sobre literatura, falando sobre tendências de moda, escrevendo artigos de final de revista debatendo o comportamento humano, quem sabe até sendo cronista de jornal? Minha Vicky vai se formar em psicologia e procurar um emprego em qualquer área- inclusive na mais chata de todas, a de recursos humanos.
Minha Cristina quer uma bateria, um girl band, um rocknroll, uma cerveja, irresponsabilidade, não pensar no dia seguinte. Minha Vicky vai continuar antecedendo-se as conseqüências, conhecendo os limites, receando os riscos. “Banda é pra adolescente, cerveja dá dor de cabeça, você sabe que isso não vai ficar impune...”. Minha Cristina quer perder o fôlego, se mudar pra um apartamento lenhado e viver de amor, quer jurar amor eterno, não dormir dançando na sala, exaurir amor até a última gota, quer emoção, aventura, todo dia uma coisa diferente, sol, tesão, loucura, dúvida, medo, paranóia, ciúme, gritos, paixão. Minha Vicky chora se não ligam no dia seguinte, gosta de imaginar que amanhã ainda será amada, curte uma rotina de estabilidade e segurança, adora o clima de amizade de um relacionamento sério, acha que sair pra jantar é a melhor coisa que um casal faz e precisa de um homem bem seguro, calmo, bacana, de conversa agradável, sorriso fácil, paciência e companheirismo ao seu lado. Não sei o que eu digo pra a Cristina entender que vida loka não é a da Vicky. Não sei como faço pra a Vicky entender que arriscar a La Cristina é o sazon da vida.
Na verdade, eu sei que todo mundo é assim. Sei que todo mundo passa a vida negociando entre os lados opostos, sei que todo mundo cada hora quer uma coisa e por isso não sai decidindo nada em cima da hora, de qualquer jeito, nas coxas. Eu sei que quem namora há dez anos, já quis sair por aí com um cara novo só pra saber como é que é tudo aquilo de novo. Assim como sei que quem assume todos os desejos e fica com quem quer na hora que quer, também abraça o travesseiro querendo alguém que se saiba que amanhã na hora do café da manhã ainda estará lá. A verdade é que queremos tudo, e buscamos tudo, e nos perdemos todos e não encontramos o que queremos. A verdade é que não sabemos, todos, o que queremos – e que, alguns de nós, como bem nos lembra Vicky, ainda que descubram o que querem, não vão fazer nada para conseguir, porque isso vai contra o planejamento, contra as colunas de certezas que construímos para conseguirmos nos manter de pé.
Eu era louca pra ser repórter de jornal, há muito não sou mais. Eu era louca pra ser analista, há pouco não sou mais. Eu era romântica e queria casar, também já fiquei pelo caminho. As coisas que eu desacredito vão crescendo numa pilha de fichas que já apostei bem do lado da pilha de coisas que ainda acredito, que só decresce. E nem é isso que me incomoda na verdade – é não saber o que eu quero, exatamente. Porque, se eu soubesse que quero ser fotógrafa, e que não tenho coragem pra peitar isso, eu teria uma frustração com razão, eu poderia reclamar comigo mesma e me blasfemar. Mas quando você não sabe de nada, você não tem nada e não se poder mudar o nada.
Eu tenho vinte e um anos, queria um estágio que não fosse uma bosta, queria uma grade menos cachorra pro semestre que vem, rezo todo dia pra que meus amigos e meu namorado continuem me agüentando com todos os defeitos que eu tenho e que sei que não mudarão; e acho que preciso desesperadamente de uma cerveja. Eu tenho vinte e um anos e minha vida se parece com um dramalhão mexicano que passa no SBT, com dublagem ruim e penteados cafonas – pode ser também um sitcom humorístico bem tosco com risadas gravadas ao fundo, para que, quando a cena estiver muito ridícula, as pessoas que assistem e interpretem se forcem a rir ao invés de chorar. Maria Del bairro eu sou. Ou the new adventuras of old Juliana. Nunca se sabe.
pS. Sobre o filme em si, eu já escrevi, tá aqui ó: (Não gosto de quase nada que escrevo, mas como gostei desse filme, o texto captou bem como eu me senti ao sair do cinema.)
http://conversadebotasbatidas.blogs.sapo.pt/55423.html
Nesse filme, falou-se muito de Penelope Cruz com sua Maria Elena, mas eu não dou a mínima, atirar em namorado, gritar em espanhol e dividir marido com outra mulher não são a minha vibe. Andar com maquiagem borrada, pintar quadros e ir pro manicômio não fazem eu me identificar. Pra a minha neurose, o bingo desse filme é Vicky, engaiolada em si mesma, sem escapatória, na vida que ela escolheu pra ela – até porque, ela não tem coragem de escolher nada diferente.
Então que, eu, aos vinte e um anos, sem emprego e/ou perspectiva de um emprego, no meio da minha crise – não posso evitar de me perguntar porque tanto perder-se, tanto buscar-se, sem encontrar-se! Não posso deixar de lado essa minha vibe de eterna luta entre Vicky e Cristina. Larguei a faculdade de jornalismo, estou no sexto semestre de psicologia agora – e com uma vontade bem grande de largar de novo, para fazer jornalismo. Sou ou não sou sensacional?! O que importa, na verdade, é que eu não tenho nenhuma coragem de largar o curso e vou engoli-lo até o final, de qualquer forma. O que faz de mim Vicky. Minha Cristina vai sonhar com outros cursos, talvez letras, talvez jornalismo, não sei bem. Minha Cristina vai querer uma vida de ganhar dinheiro na internet, de ganhar dinheiro escrevendo sobre literatura, falando sobre tendências de moda, escrevendo artigos de final de revista debatendo o comportamento humano, quem sabe até sendo cronista de jornal? Minha Vicky vai se formar em psicologia e procurar um emprego em qualquer área- inclusive na mais chata de todas, a de recursos humanos.
Minha Cristina quer uma bateria, um girl band, um rocknroll, uma cerveja, irresponsabilidade, não pensar no dia seguinte. Minha Vicky vai continuar antecedendo-se as conseqüências, conhecendo os limites, receando os riscos. “Banda é pra adolescente, cerveja dá dor de cabeça, você sabe que isso não vai ficar impune...”. Minha Cristina quer perder o fôlego, se mudar pra um apartamento lenhado e viver de amor, quer jurar amor eterno, não dormir dançando na sala, exaurir amor até a última gota, quer emoção, aventura, todo dia uma coisa diferente, sol, tesão, loucura, dúvida, medo, paranóia, ciúme, gritos, paixão. Minha Vicky chora se não ligam no dia seguinte, gosta de imaginar que amanhã ainda será amada, curte uma rotina de estabilidade e segurança, adora o clima de amizade de um relacionamento sério, acha que sair pra jantar é a melhor coisa que um casal faz e precisa de um homem bem seguro, calmo, bacana, de conversa agradável, sorriso fácil, paciência e companheirismo ao seu lado. Não sei o que eu digo pra a Cristina entender que vida loka não é a da Vicky. Não sei como faço pra a Vicky entender que arriscar a La Cristina é o sazon da vida.
Na verdade, eu sei que todo mundo é assim. Sei que todo mundo passa a vida negociando entre os lados opostos, sei que todo mundo cada hora quer uma coisa e por isso não sai decidindo nada em cima da hora, de qualquer jeito, nas coxas. Eu sei que quem namora há dez anos, já quis sair por aí com um cara novo só pra saber como é que é tudo aquilo de novo. Assim como sei que quem assume todos os desejos e fica com quem quer na hora que quer, também abraça o travesseiro querendo alguém que se saiba que amanhã na hora do café da manhã ainda estará lá. A verdade é que queremos tudo, e buscamos tudo, e nos perdemos todos e não encontramos o que queremos. A verdade é que não sabemos, todos, o que queremos – e que, alguns de nós, como bem nos lembra Vicky, ainda que descubram o que querem, não vão fazer nada para conseguir, porque isso vai contra o planejamento, contra as colunas de certezas que construímos para conseguirmos nos manter de pé.
Eu era louca pra ser repórter de jornal, há muito não sou mais. Eu era louca pra ser analista, há pouco não sou mais. Eu era romântica e queria casar, também já fiquei pelo caminho. As coisas que eu desacredito vão crescendo numa pilha de fichas que já apostei bem do lado da pilha de coisas que ainda acredito, que só decresce. E nem é isso que me incomoda na verdade – é não saber o que eu quero, exatamente. Porque, se eu soubesse que quero ser fotógrafa, e que não tenho coragem pra peitar isso, eu teria uma frustração com razão, eu poderia reclamar comigo mesma e me blasfemar. Mas quando você não sabe de nada, você não tem nada e não se poder mudar o nada.
Eu tenho vinte e um anos, queria um estágio que não fosse uma bosta, queria uma grade menos cachorra pro semestre que vem, rezo todo dia pra que meus amigos e meu namorado continuem me agüentando com todos os defeitos que eu tenho e que sei que não mudarão; e acho que preciso desesperadamente de uma cerveja. Eu tenho vinte e um anos e minha vida se parece com um dramalhão mexicano que passa no SBT, com dublagem ruim e penteados cafonas – pode ser também um sitcom humorístico bem tosco com risadas gravadas ao fundo, para que, quando a cena estiver muito ridícula, as pessoas que assistem e interpretem se forcem a rir ao invés de chorar. Maria Del bairro eu sou. Ou the new adventuras of old Juliana. Nunca se sabe.
pS. Sobre o filme em si, eu já escrevi, tá aqui ó: (Não gosto de quase nada que escrevo, mas como gostei desse filme, o texto captou bem como eu me senti ao sair do cinema.)
http://conversadebotasbatidas.blogs.sapo.pt/55423.html
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Criminal Minds.
gato, vemnimim? faz o meu perfil?Bomo, como eu deixei a terapia, não tenho mais divã pra deitar nem platéia para ouvir os meus sonhos. Por causa da terapia e do hábito de falar sobre sonhos por lá, eu sonho muito e me lembro quase sempre. Aqui vamos nós.
Eu estava bem feliz numa festa, e do lado de fora tinha piscina, eu tinha cortado uma franja e estava estreando o penteado. Daí um amigo meu, psicólogo, me chamava do lado de fora da festa porque a ex-mulher do nosso chefe – que assim, era o Thomas Gibbs, agente Aaron Hotchner, de Criminal Minds – tinha chegado lá com dois seguranças para bater na gente e pedir pra ele retomar o casamento com ela. Daí meu amigo virava ninja e lutava com os seguranças, que sumiam e todos nós iamos para a mesa de jantar, ficava claro e evidente que eu tinha um envolvimento amoroso com o Hotchner, e enquanto todos comiam, a mulher dele nos olhava com cara de muito malvada – e ele só piscava, mostrava o crachá e dizia: ‘eu não sei o que é ter medo.’ Eu saia da mesa com ele, o abraçava, rolava um clima. Fim.
Acordei feliz da vida porque sonhei com ele, batizei minha banda no guitar hero com o nome do personagem e estou evoluindo progressivamente – já destravei quase a metade das músicas disponíveis, com a ajuda essencial do namorado. Só queria avisar ao meu inconsciente que existem questões muito mais importantes a serem resolvidas antes de ele ter tempo para brincar de Maria-do-bairro-comédia-romantica-hollywoodiana com os personagens de criminal minds enquanto eu durmo. Só queria avisar pro meu inconsciente um montão de coisas, mas estou meio de mal com ele, porque ele está bancando o adolescente incontrolável longe do divã – e eu tenho muito medo que ele faça a Suzane Von Richtofen e me mate enquanto eu estou dormindo. Já disse Sthepen King que "monstros são reais e fantasmas são reais também. Vivem dentro de nós e, às vezes, eles vencem". Meu ano novo está virando dias das bruxas.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Final de semestre.

Se vocês são pessoas boas que querem ter vidas sensatas, fica a dica aqui: não resolvam ter uma crise de inferno astral em pleno fim de semestre da faculdade. Conversem com seus familiares e peçam, com um sorriso no rosto, pra eles só surtarem depois do dia 10/12, para eles só destruirem seu coração depois dessa data, para seus amigos não sacanearem antes do dia D pré-estabelecido, para sua terapeuta não ir muito fundo nas sessões que antecedem este dia, para seu namorado não brigar com você - ou seja, peçam para o mundo parar que vocês querem descer mas jaja vocês voltam, sorridentes e de biquíni, para ir pegar uma praia na viagem de ano novo.
Infelizmente, eu esqueci de avisar isso as pessoas. Mas, mais infelizmente ainda, também me esqueceram de avisar isso - ou seja, vamos me ligando aí, me mandando mensagem, me mandando email para dizer 'just because i'm busy doesnt mean i dont love you' ok? Porque essa coisa de me sentir mal amada, complica ainda mais o já triste processo de encerramento de trabalhos do semestre mais chato da minha vida estudantil e me deixa com emoções a flor da pele - que eu não posso descontar em nada e nem em ninguém - que fazem com que eu assista House para fazer um trabalho ACADEMICO e chore litros com as mazelas da vida hospitalar.
Quer dizer, bela bosta né. Bela aspirante a pessoa normal. Bela aspirante a psicologa.
Trufa.
Quer dizer, as pessoas não tem mais nem sequer noção da expectativa das outras e com isso causam frustrações que tiram o prazer das pequenas coisas. Vou eu, muito feliz, comprar uma trufa de maracujá - porque eu amo maracujá e etc e tal e todo mundo sabe - mas aí, quando chego lá, a trufa de beijinho tem um papel tão bonito e quando eu olho aquele beijinho, tão branquinho no papel da trufa que quase sinto o gosto do doce e penso 'porra, tô pagando e engordando mesmo, me vê aí uma trufa de beijinho'. Cem anos que eu não comia trufa, vou super feliz abrindo o bombom, mordo e... UM RECHEIO MARROM. Parecia até uma trufa de amendoim. Minha mente super confusa, né. Quer dizer, respeito com o consumidor não trabalhamos, além de eu supor sempre que beijinho é uma coisa branca, a imagem do papel ainda me iludiu mais. Que tipo de gente embala num papel com beijinho branco e vende beijinho marrom? Comi minha trufa, que tinha gosto de beijinho, porque já tinha comprado e já tava lá mesmo fazendo nada né, mas perdi totalmente o tesão. Fui iludida. Uma consumidora enganada. Da próxima vez, a boa e velha trufa de maracujá.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
É que falaram primeiro...

Quando alguém fala exatamente tudo de um jeito muito melhor do que você conseguiria falar, o que você faz? Dá um Ctrl C + Ctrl V e CREDITA, certo? Certo. Então, aqui vai! :)
Link do blog de onde eu retirei essa imagem e esse texto , retratado abaixo: Mary Jo living alone: Well who could blame her if she's sleepy?
-> http://whocouldblameher.blogspot.com/2009/11/so-pra-constar.html
Aqui vamos a reprodução, porque oi, se ela tava falando dela, acabou calhando de falar de mim, sabe?
Só pra constar
"Eu sou tão casca-grossa, mas tão casca-grossa, que quando fico estressada aparecem espinhas no meu couro cabeludo. Uma forma do meu corpo dizer "não, não me faça cafuné, eu sou forte e fodona".Mentira, claro.
O problema é exatamente esse, eu sou que nem aqueles docinhos de leite que são duros por fora e meleca por dentro. Eu sofro horrores e só queria um bocadinho de amor, mas aí todo mundo me olha e pensa "uau, ela é super foda e bem resolvida, nem precisa de ninguém", daí eu me dou mal."
Querida Fabiane, eu te entendo. Juro que entendo.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Seleção de estágio.
Bom, falei muita besteira (messsssssssssmo) na seleção de estágio e super sei que já era. Mas eu JURO que se eu perder a vaga pra a menina que tava de rasteirinha, ou pra a menina que tava de barriga de fora, ou pra a menina de camisa regata....aí eu vou pirar, porque é um sinal claro de que o mundo corporativo perdeu a mínima noção do que é bom senso profissional. Tenho dito.
Eu nem sinto os meus pés no chão.

Eu queria ser uma centopéia.
Incrivelmente (ou não, pra mulheres que tem na vida homens sensíveis e antenados, como os que eu tenho), os pares mais lindos foram presentes de dois homens, meu pai e meu namorado!
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Voice into my head.
Olha, é uma coisa normalissima perguntar pra psicologos e estudantes de psicologia que tipo de paciente ele não sustentaria atender. Vou te contar, depois da seleção de estágio que eu fui hoje, tenho que falar: lido com perversos, me manda os neoróticos, traz a galera bulímica, chama todo mundo que tem toc, vamos fazer terapia com homosexuais, famílias, casais em crise, adolescentes problemáticos, alcoolatras - mas sério, NÃO me pede pra conviver com gente que tem a voz irritante. Só isso, por favor. Eu não aguento. Em dois minutos, eu nem tô ouvindo mais, já tô imaginando porque-diabos aquela voz de desenho animado de princesinha mimimi ainda existe...
Voz enjoada? Do not disturb.
Voz enjoada? Do not disturb.
domingo, 8 de novembro de 2009
Meu siguino.
"Meu siguino é o melhor" é uma comunidade no orkut. Depois as pessoas abrem as janelas do meu msn para criticar a minha amargura com o mundo. Fale sério!
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