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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Ah, o amor...




"É um vício necessário. Talvez o que faço melhor. Fico pronto para me despedaçar.
Não estou sozinho. Recebo companhia a cada minuto na nau dos insensatos.

No amor, em algum momento, você terá que ser ingênuo e acreditar. Terá que largar uma vida, refazer sua vida. Terá que abandonar a filosofia pessimista, a inteligência solteira do botequim e se declarar apaixonado. Terá que ser incoerente, contradizer fundamentos inegociáveis. Terá que rasgar a certidão negativa, a proteção bancária, os manifestos de aversão ao casamento e filhos.

Não dá para ser esperto sempre. Não dá para ser experiente sempre. Don Juan e Casanova também se quebraram. Napoleão e César também foram derrotados na intimidade. A ingenuidade é um poder terapêutico. Nada pode ser mais traumático e mais libertador dos costumes. É um instante definitivo e raro no relacionamento. Quando confiamos que será diferente, que somos eleitos por uma constelação de símbolos e casualidades, quando desistimos das armas e das reservas para se apresentar absolutamente disponível e vulnerável. Não há mentiras e formalidades, frases espirituosas e comentários sarcásticos. Há apenas uma burrice infindável, o beiço e a intenção de se entregar para uma mulher seja como for.

Pena que a ingenuidade tem que acabar mal. Caso contrário, não era ingenuidade, era sabedoria."

Fabrício Carpinejar, " A culpa é do Keep Cooler"

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Seleção de estágio.




Eu acho que o problema é de puro encaixe: como um parafuso largo demais numa porca pequena ou vice-versa. Por outro lado, é fato que eu não gosto de coisas pré-definidas: "ah, para ser um bom < insira qualquer profissão em qualquer área> você tem que ser < insira qualquer adjetivo de qualquer espécie>". Discordo: para ser um bom profissional empregado, acho que você tem que levar seu emprego a sério, assumir suas responsabilidades, saber se comunicar com as pessoas ao seu redor, e bom: trabalhar duro com o melhor de si, dentro das potencialidades e conhecimentos exigidos. No fundo, acho que DEVERIA tanto fazer se você prefere Truffaut ou Fellini. Isso, se tratando de empregos - e não de vocações. Vocações são para os grandes, pessoas que nascem com um dom que precisa ser empregado em determinada profissão e pronto - o dom antecede a profissão, a escolha, o emprego. O dom constitui a pessoa. O emprego é só uma função que você tem na vida e tem que cumprir: chegue nove horas, arrume a papelada, assine os documentos, revise os textos, faça café e sirva para todos, atenda pessoas, traduza textos, faça telefonemas, mande emails, enfim, na minha opinião um emprego é algo que ocupa seu tempo, seu comportamento e te dá responsabilidades e obrigações e algo no qual você deve se esforçar para se desenvolver o máximo. Mas, assim, na grande maioria dos empregos pode ser que você se destaque imensamente se você tiver um DOM mas assim, tirando se você pretender ser um líder humanitário que prega a paz, presidente da áfrica do sul tentando curar feridas do Apartheid ou ser uma freira na Bahia que tenta promover saúde e carinho para os mais necessitados - suas características ou dons podem ser exercitados, transformados, melhorados, reclassificados e bem menos definitivos para a contratação. Ok, recomenda-se um psicólogo que goste de ouvir, um advogado que gosta de ler, um professor que sabe ensinar, um físico que sabe calcular, um motorista com carteira de motorista e por aí vai, o que não rola é acharem que você deve coisas demais para cargo de menos.
Daí eu vou nas seleções de estágio (bye bye procrastinação, olá dinheiro na conta, oioi tardes ocupados e cabeça idem) mas eu me sinto completamente aleatória, patinho feio, sabe? Pra exemplificar, é como se pela pessoa que eu sou, exatamente, pela pessoa que eu sou e não pelo que eu sei ou não sei (que ok, admito, interfere muito sim, e eu não sei mesmo quase nada, mas a idéia de um estágio não seria mesmo aprender?) é que o estágio não vai rolar. Numa aproximação mais banalizada, é como se eu tivesse nascido para a pediatria, numa paciência infinita para choro de criança e estivesse tentando me empregar para ser, sei lá, cirurgiã plástica e precisar ser objetiva e sair cortando a pele de todo mundo por aí. Posso aproximar dizendo que é como se eu tivesse estudado direito de família e agora tivesse resolvido tentar uma vaga em direito penal. Mas na verdade, embora o conhecimento que as pessoas que amam a área de RH tem e eu não tenho, seja relevante, eu sinto que eu perco apenas por ser quem sou: não, eu não sou exatamente objetiva. também não sou exatamente prática e tampouco sou um exemplo da racionalidade. Sou sensível sim, gosto de ouvir as pessoas sim, gosto de pensar nas coisas sim. Contudo, nunca deixei de entregar um relatório no estágio antigo, nunca deixei de estar lá na hora certa, de fazer as coisas que precisavam ser feitas, de participar do planejamento, da execução, das reuniões com todos os envolvidos - do molequinho de comunidade que o projeto atendia ao diretor do museu que comandava o projeto. Nunca deixei meu irmão morrer de nada que eu tivesse que resolver rápido - uma febre, um corte, qualquer coisa que fosse necessariamente urgente - resolvo tudo, mas não por isso me acho uma pessoa prática e objetiva, porque me importo sim em como as coisas vão reverberar. Não posso ser boa trabalhadora porque sei chorar? Não posso ser eficiente porque gosto de conversar? Não presto pra fazer palestras motivacionais porque, porque eu gosto de ler, as pessoas supõem que eu não sei fazer um gráfico de forma rápida?
Minhas amigas de RH vão dizer que não é bem assim. Que eu estou exagerando. Talvez vão explicar as necessidades dessa praticidade, dessa objetividade, dessa necessidade de tudo isso... Talvez elas tenham razão mesmo. Talvez seja só essa minha desilusão. Talvez seja só essa certeza de que eu nunca vou estagiar fora da faculdade, porque sim, eu gosto de clínica, gosto de ler, gosto de falar com as pessoas, resolvo as coisas com calma... Talvez seja só esse ímpeto de ainda achar que eu não vou me vender em troca de salário nenhum, desculpa. Quem tem blog afinal, desabafa como quer, né. Mas no fim, é sempre a mesma coisa: quem tem problema é o Haiti.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Sonho [2]

Eu e as minhas amigas resolviamos abrir um negócio próprio. Íamos até o Salvador Shopping (maior shopping de Salvador), na ala nova e começavamos a pesquisar as opções, os preços, o lucro, o investimento inicial etc. Escolhiamos abrir uma PISTA DE SKATE EM FORMA DE TÚNEL NO SHOPPING e o investimento inicial de cada uma de nós era de 38 reais - porque, PASMEM, a pista já estava lá, nós não precisavamos construir nada. Depois disso eu saia andando pelo shopping, só para ter certeza de que não havia nenhuma outra pista melhor localizada. Então, de repente, eu estava no carro do professor que eu desejo que oriente minha monografia (vamos lá, papai do céu) junto com ele e sua namorada. Ele estava dirigindo, eu estava no banco da frente e sua namorada estava atrás. Éramos todos psicologos e eu estava levando eles para a FESTA DE INAUGURAÇÃO DA PISTA DE SKATE. Fomos o caminho todo discutindo as diferenças elementares entre Bion, Klein, Winicot e Freud. GARGALHAMOS enquanto discutíamos Lacan. (Lacan sempre muito engraçado né, quem conhece BEM sabe). Chegamos a inaguruação, eu apresentei eles a todas as minhas amigas e a minha mãe. Tinha balões e "brous" andando de skate com boné para o lado. Fim.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A solidão essencial.

Uma introdução só pra dizer que sou leitora assídua do Ivan, que escreve todas as quartas na sua coluna no site da revista Época e vale ser seguido no twitter em @IvanHM. Acho muito legal o jeito com que ele aborda as relações humanas, os nós do cotidiano e tudo o mais, por isso, segue na integra aquele que é o meu texto favorito dele. Quem gostar, vale a pena buscar conhecer mais.


A solidão essencial
O amor que nos resolve a vida é uma promessa enganosa
por Ivan Martins (Diretor executivo de Época, em 06/01/2010)

"Acho que foi um professor de cursinho quem contou em classe o mito dos andróginos. Parte homem e parte mulher, esses seres eram tão completos e tão felizes que despertaram a inveja de Zeus. Irado, o patriarca do Olimpo disparou raios que separaram em duas cada uma das criaturas perfeitas. Desde então, elas vagam pelo mundo em busca de sua metade. São solitárias e incompletas. Somos nós.

Não sei o que os gregos queriam dizer ao criar essa lenda, mas a maneira como nós a interpretamos, modernamente, é muito clara: existe alguém lá fora que nasceu para nós. Enquanto não acharmos essa metade (o amor verdadeiro) jamais seremos felizes.

Muitos de nós acreditamos nisso o tempo todo. Outros acreditam apenas de vez em quando. Raro é encontrar alguém totalmente imune a essa espécie de esperança (ou seria armadilha?) romântica.

Mas eu às vezes me pergunto se essa é uma ideia construtiva. É saudável imaginar que a nossa felicidade não depende de nós, mas, sim, de outra pessoa qualquer? Mesmo sem tomar o mito dos andróginos ao pé da letra, milhões de pessoas adiam o futuro diariamente à espera de que a vida lhes traga um grande amor, aquele que vai colocar tudo nos eixos.

Eu pergunto de novo: essa é uma ideia saudável?

Há um livro do qual eu gosto muito que trata dessa questão – a ideia do amor romântico – como nenhum outro. Chama-se “Sem fraude nem favor, estudos sobre o amor romântico” e foi escrito pelo psiquiatra e psicanalista pernambucano Jurandir Freire Costa, uma das pessoas que melhor fala dos sentimentos e das emoções no mundo real (que é o contrário do mundo idealizado no qual a gente, sem perceber, passa a maior parte da nossa vida).

Nesse livro, Jurandir afirma que o amor romântico – ao contrário de tudo que nos dizem – não é natural e universal, não é incontrolável e nem é condição essencial à felicidade humana. Isso seriam apenas coisas em que se acredita.

Não vou reproduzir os argumentos minuciosos e nem a prosa erudita do escritor, mas essencialmente ele afirma que o amor exaltado, sublime e raro que nós endeusamos é uma invenção social (como a música) e uma crença (como a religião) que pode perfeitamente ser questionada e modificada. Não existe um jeito eterno e imutável de amar, diz ele. O amor e a forma de encará-lo sempre variaram ao longo da história. Se nosso jeito atual de amar nos parece opressivo, antiquado ou insatisfatório, que tal tentar outra forma de amar?

É estranho pensar no amor dessa maneira, não? Estamos acostumados a vê-lo como algo imutável, quase sagrado, que as pessoas têm ou não têm, conseguem ou não conseguem. Mas claramente não é assim. Ao redor de nós existem pessoas que tratam o amor de forma muito diferente entre si. Fulano é muito romântico, quase tonto, enquanto fulana é de um pragmatismo inquietante: sabe exatamente o que deseja e vai atrás. Essas são diferenças reais, que mostram que o bicho amor não é exatamente o mesmo para todo o mundo.
Quando se compara o nosso modo de agir e pensar com o das outras culturas, as diferenças ficam ainda mais óbvias.

Lembro de ter tido, anos atrás, uma conversa muito interessante com um amigo nissei que havia morado no Japão. Éramos os dois casados e eu me queixava das dificuldades do casamento. O amigo, mais velho, respirou fundo e me disse que, no Japão, eles achavam que casamento era uma coisa muito séria para ser decidida por paixão. Se você ia passar a vida com alguém, as compatibilidades eram mais importantes que o desejo.

Na hora achei aquilo esquisito, mas hoje percebo que ele estava sugerindo apenas outra forma de olhar para a mesma situação: diante da escolha do casamento, que tipos de sentimentos são mais importantes?

Nos últimos dias, eu tenho pensado muito em um aspecto particular da nossa ideologia do amor, aquele que diz que é impossível ser feliz sozinho. Não é só a música de Tom Jobim que afirma isso. Tudo que nos circunda brada a mesma mensagem. Ela está nos filmes, nas novelas, nas conversas. Ausência de parceiro é sinônimo de infelicidade, fracasso ou esquisitice. Ou tudo isso junto.

Talvez seja verdade que as pessoas sem parceiros tendem a serem menos felizes, mas o contrário certamente é falso: estar com alguém, ter alguém, não é garantia de felicidade.
A gente sabe disso, a gente vive isso, mas, socialmente, a gente não divide essa informação. Para todos os efeitos públicos, vale o seguinte combinado: se a pessoa está casada, ou tem um namorado bacana, sua vida está “resolvida”. Mas isso é falso, não?

Namorei uma vez uma moça cujo pai, um sujeito espetacular, casado com uma mulher encantadora, estava há meses numa terrível depressão. Eu olhava para o sujeito e não entendia. Ele tinha mulher, filhos, casa, profissão, amigos e... tinha desmoronado. Os motivos íntimos da derrocada talvez nem ele soubesse, mas a lição para mim foi clara: nossas questões interiores não se resolvem com a parceria amorosa, nem mesmo com a família.

Não adianta nos cercamos de um cenário de propaganda de margarina (mulher, filhos, cachorro, condomínio) porque, ao final, nossa felicidade depende de nós, das forças interiores que nós somos capazes de mobilizar. As pessoas que amamos nos ajudam, mas elas não substituem nosso amor próprio, nossa motivação e a nossa estabilidade. Precisamos das pessoas, mas precisamos ainda mais de nós mesmos.

É por isso que a promessa de felicidade amorosa às vezes me incomoda. Ela é falsa. Ela é uma forma de propaganda enganosa. Ele conduz as pessoas numa procura inútil por alguém que as faça sentir inteiras e completas, quando, na verdade, essa sensação de inteireza talvez seja inalcançável.

Se a gente olhar de novo para o mito do andrógino, talvez haja nele outra sabedoria a ser extraída: a de que nós, homens e mulheres, somos criaturas intrinsecamente solitárias. Vivemos em grupo, precisamos do grupo e buscamos conforto na intimidade do outro, no amor. Mas talvez seja da nossa natureza jamais nos sentirmos inteiros e completos.
Talvez haja em nós uma inquietação inextinguível e uma angústia que advêm da nossa própria consciência e que nos torna humanos. O amor seria então um alento, um consolo, uma fogueira que nos protege do frio. Mas o frio está lá. E a melhor medida da felicidade talvez seja a forma como lidamos com ele. Como indivíduos, não como casais."

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

I love you, but...



A dupla de londrinos Alex Holder e Ross Neil sabendo que em alguma hora do relacionamento começa-se a descobrir seus poréns,criou o site "I love you, but" que une caricaturas e frases que mostram o 'mas' que se intrometeu no amor (como na imagem acima.)
Vale a pena conferir, pois tem pérolas incríveis como "eu te amo mas você usa óculos escuros em ambientes fechados" e "eu te amo mas você diz que "O alquimista" mudou a sua vida".

Dica do site da revista Bravo.

Easy like a sunday morning.

Eu tinha um colega em Ética 1 que tinha um bordão muito interessante, que ele utilizava toda vez que a discussão em sala se encaminhava para o tema "liberdade". Ele dizia, calmamente, resignado, até contente eu diria, que "liberdade, liberdade, não existe. Mas eu gosto de pensar que, se eu estou preso - e estou - pelo menos o cativeiro é graaande e dá pra fazer várias coisas então...". Concordo plenamente, ninguém é cem por cento livre - e é uma benção achar que pelo menos dentro do espaço que se tem ainda se pode fazer muito. Essa frase não sai da minha cabeça, ainda mais nesse período de reflexão, o problema é que: eu sou ainda menos livre do que a maioria e pior, eu acho que nunca fiz muita questão de ser livre. O que, cabe dizer, não é o caso agora - definitivamente não é. Agora, é como diz o Faith No more: I wanna be free to know the things I do are right".
O negócio é que eu sempre fui uma pessoa que precisou de aprovação, amor e incondicionalidade e isso sempre foi uma pedra no sapato da minha terapia, que podia andar até TAL lugar mas que quando precisava de rompantes de enfrentação ao grande outro, vacilava feio. isso sempre foi uma pedra no sapato para ir a alguma entrevista de emprego: se preciso que me aceitem,como posso correr o risco, por vontade propria, de que me neguem? Por outro lado, esse sempre foi o lado da balança que sustentou muitas relações: eu queria tanto essa certeza, essa aceitação, essa concordância que eu me esqueci de querer outras coisas.
Muitas vezes eu engoli a palavra que eu queria dizer, porque alguém ficaria chateado. Muitas vezes eu pude ter dito verdades que precisavam ser ditas e eu optei por não dizer para não criar desarmonia. Muitas vezes eu não sai com uma pessoa porque outra pessoa podia dizer que eu tinha escolhido um lado e ficar chateada. Muitas vezes eu deixei de falar com alguém porque outra pessoa esperava isso de mim em sinal de amizade. Muitas vezes eu não falei com alguém porque teria que me explicar. Muitas vezes eu não sai com alguém porque a pessoa fazia parte do meu passado e isso significaria expor o outro a inseguranças e receios. Muitas vezes eu não retomei laços de amizade com medo de que já não gostassem de mim e muitas vezes eu não conheci pessoas novas por medo de que eu as decepcionasse e por medo de que os outros pensassem coisas ruins. Enfim, fui abdicando de pequenas coisas, pequenas vontades,pequenas libertações, pequenas doses de mim mesma em nome da paz entre as pessoas e do amor que elas teriam por mim. E era ótimo enquanto podia ser assim, eu era feliz. O problema é que agora não pode mais. (Ainda quero pedir desculpas a minha terapeuta, porque só fui estourar depois dos quatro anos de terapia e porque a mania de pedir desculpas eu não perdi ainda...)
Agora não pode mais porque eu estou afim de me descobrir e de me ser - mesmo sabendo que oi, liberdade 100% não trabalhamos - mas agora eu quero dizer alguma coisa mesmo que não me amem mais, eu quero fazer alguma coisa sem me importar com o julgamento que farão, eu quero sair com quem eu quiser sem ter que ficar me explicando, eu quero falar com as pessoas, quero conhecer mais pessoas, quero viver os encontros. Eu me sinto bem e segura querendo fazer essas coisas, querendo fazer algo de bom por mim - e me sinto melhor sabendo que esse novo desejo não colide com minhas características velhas amigas: fidelidade total a quem amo - seja amigo, namorado, família - e fidelidade total aos meus princípios e as coisas que eu subdividi entre certas e erradas. Claro que eu não quero magoar ninguém de graça, mas também já não quero deixar de fazer o que eu quero. E por outro lado, sei que essa postura abre portas para que as pessoas ao meu redor também queiram mais liberdade no nosso encontro e na nossa relação e, logicamente, me disponho a puxar as cercas e aumentar o tamanho do cativeiro alheio. Acho realmente importante que cada um possa estar em contato consigo e se conhecer o máximo possível. Acho que esse é um direito que as pessoas tem e que eu não posso podar, e um direito que eu tenho e que não devo deixar que podem.
Quero gastar mais tempo comigo, indo pro cinema sozinha, fazendo meditação, não deixando de fazer algo que eu quero porque ninguém quer ir comigo (exercitar a independencia, já trabalhamos), fazer teatro, voltar pro inglês, trabalhar e ter o direito de me sentir produtiva e de ter meu próprio dinheiro, ter tempo para ler mais tudo que eu quero ler ( e isso eu sempre quero) e por aí vai...
Eu quero ser fácil como uma manhã de domingo e quero ter a certeza de que eu estou me fazendo feliz e cuidando bem de mim.

domingo, 10 de janeiro de 2010

All about me.

Então que, no meio das férias que tendiam a curtição, eu vim pro interior da minha avó. O legal é que eu me divirto com bem pouco, e bem de verdade: minha mãe pulando muro de casa alheia pra pegar bola de guga, minha avó jogando capoeira com meu irmão de cinco anos e até mesmo nós três simplesmente fazendo as unhas e conversando até a madrugada. Ficar mais tempo do lado destas duas mulheres, simultaneamente, me traz muito contato comigo mesma, com o meu feminino e com quem eu sou. Contato comigo sempre me interessa - gosto de entender o passado que faz o presente.
Acho que cresci entendendo que senso de humor é raio, estrela e luar. Rir é vida. Minha avó já tem uns oitenta anos, ou seja, cheia dos problemas da idade mais os problemas pessoais e lá está ela, enxugando muitas lágrimas ( em 2009 foram MUUITAS mesmo) para poder abusar minha mãe, fazer piada comigo ou rir das histórias de guga. Minha mãe comedia o tempo todo: é filho chorando, filha zangada, marido estressado, meus avós com problemas e ela dizendo 'anham, claudia' para todos. Quem acha que eu sou engraçada ou que tenho um jeito leve de encarar os problemas da vida, é porque não conhece elas. Eu tive boas professoras: não importa quanto as coisas sejam chatas ou dificeis, você pode fazer sorrindo e sacaneando e você pode encarar com leveza. E eu posso mesmo. Ficar perto delas e vê-las interagindo me lembra disso.

Depois dessa reflexão, eu digo minhas metas para 2010: 1) saúde 2) tranquilidade 3) um semestre bem nerd na faculdade 4) um estágio 5) me divertir bem mais que em 2009.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Banho de realidade.

"Entrei num período em que não me sinto admirado, confiante, independente. Experimento o vácuo de personalidade. Qualquer palavra é áspera, qualquer amor não é suficiente. Todo mundo passa ocasionalmente por isso, quem se aproxima dos quarenta passa todo dia."

Fabricio Carpinejar, em "Filha?"

domingo, 3 de janeiro de 2010

Truth.




E ainda assim, meu namorado fez esse template bonito pra mim - que inauguro agora.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Apostando as fichas. E um óculos novo.



Daí que eu sonhei, de ontem pra hoje, no meu primeiro sonho do ano, com uma imagem super forte e simbólica: sonhei que meu óculos de grau, esse que eu uso todos os dias e que é verdinho, verdinho, de aros grossos e plástico estava ENFERRUJANDO. Enferrujando bem na frente, bem em cima da lente, fazendo crostas visiveis e horrorosas de ferrugem. De dentro do verde, saía a ferrugem. Uma imagem bem simbólica sobre o envelhecimento do olhar, sobre o desgaste do jeito de ver as coisas, sobre o cansaço da vista.
Ouvi hoje muitas histórias do tempo da juventude de muita farra ("daí a gente bebeu demais, fez as malas e disse que ia pra casa, resultado, dormimos na beira da estrada, no mato do acostamento, com a cabeça na mala") de meu pai e de meus tios. Ok, era um tempo com menos violência e com outro ritmo, mas percebi que definitivamente eu preciso me divertir mais. Emocionalmente falando, parece que eu envelheci uns dez anos no tempo de dois. Nunca fui tão a minha mãe. Preocupada com horários, com pessoas, com agradar todo mundo, com tomar conta de todos, com ser compreensiva com todas as porradas, com não fazer coisas fora da ordem mundial, com não perder prazos, com as consequências físicas para mim e as consequências emocionais para os outros, em não aborrecer pessoas, em não iniciar brigas... De certa forma, entre a paz de todos e o meu desejo, eu sempre escolhi a paz de todos. Não sei se eu quero continuar nessa escolha.
Só sei que, eu acho que preciso pensar menos nessas coisas tipo horários, prazos, responsabilidades, consequências, emocional dos outros, porque assim, em uns quatro anos, eu não vou mais poder abstrai-las, então, acho que hoje em dia eu mereço sair, tomar uma cerveja, conhecer pessoas novas, dar risada, aceitar convites inusitados, ter conversas despretensiosas, não ter como voltar pra casa, viajar, ser menos casquinha com o meu dinheiro, ter menos medo de arriscar e tal.
Quero, daqui a uns anos, poder sentar os meus filhos para contar histórias também. Quero, daqui a uns anos, que o meu pai também diga que eu dei (um pouquinho de) trabalho. Não quero ser só sempre a madura, a sensata, a mãe de todos, a cuidadora. Acho bala que me liguem quando precisam de conselho, colo, carinho - mas vamos começar a ligar pra enlouquecer também.
Ou seja, a vibe é a multiplicade: quero um emprego fixo e legal, estando até aberta a áreas que antes eu nunca me julgaria disposta e quero ao mesmo tempo poder aproveitar mais as coisas - não só as pequenas e fofas que eu já aproveito, mas também as que podem mover e recriar a minha moral, a minha ideologia, o meu olhar sobre o mundo.
2010, quero tudo ter: estrela, flor, estilo. Quero chorar junto com os dramas das pessoas que eu amo e quero rir muito lembrando de todos os micos que eu pagar, também. Ano de apostar fichas, se Deus quiser.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Wishlist.



Bom, meu maior problema na vida não é bem não saber o que eu quero, isso eu meio que até sempre sei; a minha grande questão é que eu não sei se o que eu quero me faz bem, eu nunca sei se eu aguento exatamente o que eu quero - então eu desejo e deixo ver se rola e se rolar eu faço o melhor que der, torcendo pra não me ferrar tanto, pra variar. Então, assim sendo, pra 2010 eu seria bem feliz com um fox (ok, não vai rolar), um estágio bem bom (para compensar o semestre que vai ser uma bosta total), muita coragem, energia (muita, muita, muita!) e ousadia. Eu queria variar o meu próprio roteiro, pra poder me reinventar sendo fiel a mim mesma. Paz, saúde pra todo mundo que eu amo, meus amigos sempre por perto (ainda mais agora que eu sinto falta dos que foram pra longe. alô alex, alô peu!) e cada vez mais amigos, mais risadas, mais momentos legais, mais amor. Quero tentar me despir dessa roupinha grossa e de lã chamada ironia, que eu uso pra me proteger.


Em 2009 eu consegui evoluir positivamente. Acho que fui o pilar emocional da minha própria familia em alguns momentos dificies e acho que fui pilastra de apoio para os amigos nas horas mais chatinhas - talvez não para todos ou não como gostaria, mas eu nunca me esforcei tanto quanto nesse ano, tinha horas que eu me sentia num ringue de boxe! (Sendo ladra do jogo e contando com o finalzinho de 2008) esse ano eu consegui passar (ok, entre idas e vindas) onze meses com uma pessoa e agora já estou em um relacionamento - este, de fato maduro, sério e tranquilo (tks God, tks 2009) - a seis meses - para uma pessoa com pavor de abandono, julgamento, decepcionar os outros, um pouco teimosa e bastante cabeça dura e desconfiada e a cada ano ficando mais antipática (sorry) até que são números bons, até que é um amadurecimento, uma evolução, um crescimento.
Em 2009 eu fiz um semestre muito bom na faculdade (um dos melhores!) e outro semestre completamente bizarro, no qual eu não quis nada, chutei o balde, caguei e andei e mesmo assim, ainda consegui ter ótimas médias e ainda consegui arranjar uma matéria que abalasse meu amor pela psicanálise. Depois passou, psicanálise still my love(r). Conheci algumas pessoas, me aproximei de outras, reecontrei outras que eu havia perdido pelo caminho, vi algumas pessoas irem embora, outras voltarem, aprendi a escrever novos começos para os fins. Em 2009 escrevi muito menos, bebi muito menos, tive cada vez menos paciência, me enganei muito menos, li muito menos e também briguei muito menos com o meu irmão.
Basicamente, a vida fluiu, seguiu, continuou, floresceu, foi boa. 2009 foi um ano bastante tranquilo. Espero que 2010 possa ser a mesma coisa: tranquilo. Eu já entendi que todos os ramos da minha vida precisam de mim para ter rumo, exceto um. Então, em 2010 vou tentar programar meus rumos e ramos e deixar esse único se resolver como for, acho que vai ser mais proveitoso.

2009, tks for coming, mas agora é com 2010.
Ótimo ano novo para todo mundo.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Hit me with your best shot, baby.

Quero ver toda mulherada de mãozinha pra cima, cantando a plenos pulmões pra todos os idiotas que acharam que iam destruir nossos corações! Parece que eles não atiraram direito, né? Quero ver a carinha de roqueira provocativa quando perguntar 'porque' ele não lançou o melhor tiro, hein!


Pat Benatar - Hit me with your best shot.

"Well you're a real tough cookie with a long history
Of breaking little hearts, like the one in me
That's okay, let's see how you do it
Put up your dukes, let's get down to it
Hit me with your best shot
Why don't you hit me with your best shot?
Hit me with your best shot
Fire away!
You come on with a come on, you don't fight fair
That's okay, see if I care
Knock me down, it's all in vain
I get right back on my feet again!
Hit me with your best shot
Why don't you hit me with your best shot?
Hit me with your best shot
Fire away
You're a real tough cookie with a long history
Of breaking little hearts, like the one in me
Before I put another notch in my lipstick case
You better make sure you put me in my place
Hit me with your best shot
Hit me with your best shot
Hit me with your best shot
Fire away
Hit me with your best shot
Why don't you hit me with your best shot?
Hit me with your best shot.
Fire away"

Maria del bairro, eu sou.

Na primeira cena de Vicky Cristina Barcelona, vemos duas moças entrando num táxi, uma loira e uma morena. A medida que o narrador vai nos explicando quem é quem, o foco da câmera se fixa na personagem enquanto ele traça os perfis. O que Vicky, Rebeca Hall, a morena, quer da vida é definido: estabilidade, segurança e esforços para manter sua vida numa rotina cheia de projetos já traçados, ela já tem seu próprio roteiro e não pode duvidar dele (mas isso só descobrimos depois) – suas roupas são sérias, seu tom é sério e ela está viajando para estudar arte, uma coisa séria. Depois a câmera foca em Scarlett Johanson, a loira, e vai logo nos dizendo: esta é Cristina, uma atriz que basicamente se define como alguém que não sabe o que procura e nem sabe o quer, mas basicamente sabe o que não quer: ela não quer monotonia. Aventura – romântica, profissional, geográfica – transformação e descoberta são com ela, como ficará a cada cena mais evidente. Destemida, eu diria. Oposta a Vicky. Depois dessa cena, em que cada personagem fica claro, vem a música Barcelona, de Giulia y Los Tellarinis, com um refrão em espanhol, no violão que nos convida a refletir: “por que tanto perder-se, tanto buscar-se sem encontrar-se?”
Nesse filme, falou-se muito de Penelope Cruz com sua Maria Elena, mas eu não dou a mínima, atirar em namorado, gritar em espanhol e dividir marido com outra mulher não são a minha vibe. Andar com maquiagem borrada, pintar quadros e ir pro manicômio não fazem eu me identificar. Pra a minha neurose, o bingo desse filme é Vicky, engaiolada em si mesma, sem escapatória, na vida que ela escolheu pra ela – até porque, ela não tem coragem de escolher nada diferente.
Então que, eu, aos vinte e um anos, sem emprego e/ou perspectiva de um emprego, no meio da minha crise – não posso evitar de me perguntar porque tanto perder-se, tanto buscar-se, sem encontrar-se! Não posso deixar de lado essa minha vibe de eterna luta entre Vicky e Cristina. Larguei a faculdade de jornalismo, estou no sexto semestre de psicologia agora – e com uma vontade bem grande de largar de novo, para fazer jornalismo. Sou ou não sou sensacional?! O que importa, na verdade, é que eu não tenho nenhuma coragem de largar o curso e vou engoli-lo até o final, de qualquer forma. O que faz de mim Vicky. Minha Cristina vai sonhar com outros cursos, talvez letras, talvez jornalismo, não sei bem. Minha Cristina vai querer uma vida de ganhar dinheiro na internet, de ganhar dinheiro escrevendo sobre literatura, falando sobre tendências de moda, escrevendo artigos de final de revista debatendo o comportamento humano, quem sabe até sendo cronista de jornal? Minha Vicky vai se formar em psicologia e procurar um emprego em qualquer área- inclusive na mais chata de todas, a de recursos humanos.
Minha Cristina quer uma bateria, um girl band, um rocknroll, uma cerveja, irresponsabilidade, não pensar no dia seguinte. Minha Vicky vai continuar antecedendo-se as conseqüências, conhecendo os limites, receando os riscos. “Banda é pra adolescente, cerveja dá dor de cabeça, você sabe que isso não vai ficar impune...”. Minha Cristina quer perder o fôlego, se mudar pra um apartamento lenhado e viver de amor, quer jurar amor eterno, não dormir dançando na sala, exaurir amor até a última gota, quer emoção, aventura, todo dia uma coisa diferente, sol, tesão, loucura, dúvida, medo, paranóia, ciúme, gritos, paixão. Minha Vicky chora se não ligam no dia seguinte, gosta de imaginar que amanhã ainda será amada, curte uma rotina de estabilidade e segurança, adora o clima de amizade de um relacionamento sério, acha que sair pra jantar é a melhor coisa que um casal faz e precisa de um homem bem seguro, calmo, bacana, de conversa agradável, sorriso fácil, paciência e companheirismo ao seu lado. Não sei o que eu digo pra a Cristina entender que vida loka não é a da Vicky. Não sei como faço pra a Vicky entender que arriscar a La Cristina é o sazon da vida.
Na verdade, eu sei que todo mundo é assim. Sei que todo mundo passa a vida negociando entre os lados opostos, sei que todo mundo cada hora quer uma coisa e por isso não sai decidindo nada em cima da hora, de qualquer jeito, nas coxas. Eu sei que quem namora há dez anos, já quis sair por aí com um cara novo só pra saber como é que é tudo aquilo de novo. Assim como sei que quem assume todos os desejos e fica com quem quer na hora que quer, também abraça o travesseiro querendo alguém que se saiba que amanhã na hora do café da manhã ainda estará lá. A verdade é que queremos tudo, e buscamos tudo, e nos perdemos todos e não encontramos o que queremos. A verdade é que não sabemos, todos, o que queremos – e que, alguns de nós, como bem nos lembra Vicky, ainda que descubram o que querem, não vão fazer nada para conseguir, porque isso vai contra o planejamento, contra as colunas de certezas que construímos para conseguirmos nos manter de pé.
Eu era louca pra ser repórter de jornal, há muito não sou mais. Eu era louca pra ser analista, há pouco não sou mais. Eu era romântica e queria casar, também já fiquei pelo caminho. As coisas que eu desacredito vão crescendo numa pilha de fichas que já apostei bem do lado da pilha de coisas que ainda acredito, que só decresce. E nem é isso que me incomoda na verdade – é não saber o que eu quero, exatamente. Porque, se eu soubesse que quero ser fotógrafa, e que não tenho coragem pra peitar isso, eu teria uma frustração com razão, eu poderia reclamar comigo mesma e me blasfemar. Mas quando você não sabe de nada, você não tem nada e não se poder mudar o nada.
Eu tenho vinte e um anos, queria um estágio que não fosse uma bosta, queria uma grade menos cachorra pro semestre que vem, rezo todo dia pra que meus amigos e meu namorado continuem me agüentando com todos os defeitos que eu tenho e que sei que não mudarão; e acho que preciso desesperadamente de uma cerveja. Eu tenho vinte e um anos e minha vida se parece com um dramalhão mexicano que passa no SBT, com dublagem ruim e penteados cafonas – pode ser também um sitcom humorístico bem tosco com risadas gravadas ao fundo, para que, quando a cena estiver muito ridícula, as pessoas que assistem e interpretem se forcem a rir ao invés de chorar. Maria Del bairro eu sou. Ou the new adventuras of old Juliana. Nunca se sabe.


pS. Sobre o filme em si, eu já escrevi, tá aqui ó: (Não gosto de quase nada que escrevo, mas como gostei desse filme, o texto captou bem como eu me senti ao sair do cinema.)

http://conversadebotasbatidas.blogs.sapo.pt/55423.html

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Criminal Minds.

gato, vemnimim? faz o meu perfil?


Bomo, como eu deixei a terapia, não tenho mais divã pra deitar nem platéia para ouvir os meus sonhos. Por causa da terapia e do hábito de falar sobre sonhos por lá, eu sonho muito e me lembro quase sempre. Aqui vamos nós.


Eu estava bem feliz numa festa, e do lado de fora tinha piscina, eu tinha cortado uma franja e estava estreando o penteado. Daí um amigo meu, psicólogo, me chamava do lado de fora da festa porque a ex-mulher do nosso chefe – que assim, era o Thomas Gibbs, agente Aaron Hotchner, de Criminal Minds – tinha chegado lá com dois seguranças para bater na gente e pedir pra ele retomar o casamento com ela. Daí meu amigo virava ninja e lutava com os seguranças, que sumiam e todos nós iamos para a mesa de jantar, ficava claro e evidente que eu tinha um envolvimento amoroso com o Hotchner, e enquanto todos comiam, a mulher dele nos olhava com cara de muito malvada – e ele só piscava, mostrava o crachá e dizia: ‘eu não sei o que é ter medo.’ Eu saia da mesa com ele, o abraçava, rolava um clima. Fim.


Acordei feliz da vida porque sonhei com ele, batizei minha banda no guitar hero com o nome do personagem e estou evoluindo progressivamente – já destravei quase a metade das músicas disponíveis, com a ajuda essencial do namorado. Só queria avisar ao meu inconsciente que existem questões muito mais importantes a serem resolvidas antes de ele ter tempo para brincar de Maria-do-bairro-comédia-romantica-hollywoodiana com os personagens de criminal minds enquanto eu durmo. Só queria avisar pro meu inconsciente um montão de coisas, mas estou meio de mal com ele, porque ele está bancando o adolescente incontrolável longe do divã – e eu tenho muito medo que ele faça a Suzane Von Richtofen e me mate enquanto eu estou dormindo. Já disse Sthepen King que "monstros são reais e fantasmas são reais também. Vivem dentro de nós e, às vezes, eles vencem". Meu ano novo está virando dias das bruxas.